DW - Ministros dos países do G8, reunidos em Roma, anunciam combate mais acirrado ao crime organizado, ao terrorismo e à pirataria. A conduta italiana frente a imigrantes ilegais foi tema polêmico no encontro.
Numa declaração final divulgada neste sábado, os ministros do Interior e Justiça do G8 (sete países mais ricos do mundo e Rússia) se comprometeram a combater de forma mais eficaz e conjunta as atividades de organizações criminosas internacionais.
A estratégia do governo italiano de confiscar bens e capital da máfia e reinvestir esses valores no combate à mesma deverá ser ampliado para outros países do G8, afirmaram os ministros. Segundo as autoridades italianas, o país confiscou no último ano cerca de 4,3 bilhões de euros de estruturas mafiosas no país, um montante três vezes maior que o reunido em 2007.
Destino dos ex-prisioneiros de Guantánamo
No encontro, realizado por dois dias em Roma, que contou também com a participação do comissário de justiça da UE, Jacques Barrot, e de representates da Interpol e do escritório para drogas e criminalidade das Nações Unidas, os ministros dos países do G8 reafirmaram seus propósitos de combater o terrorismo.
Isso deve se dar, contudo, em procedimentos que respeitem "os direitos humanos, o direito de asilo e o Direito europeu", consta da declaração divulgada em Roma.
O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, defendeu uma solução europeia comum para a questão dos ex-prisioneiros de Guantánamo. A Itália, segundo ele, deverá aceitar no máximo três ex-prisioneiros. O assunto deverá ser retomado num encontro de ministros agendado para a próxima semana, a ser realizado em Luxemburgo.
Governo italiano acusado de xenofobia
O fluxo de imigrantes ilegais e o tráfico humano foram também assuntos altamente discutidos pelos ministros do G8 em Roma, aventados principalmente pelos representantes dos países europeus mediterrâneos. Em 2008, chegaram à costa italiana 36.500 refugiados; em 2009 já foram mais de seis mil, citou Maroni.
O ministro italiano defendeu a política para refugiados do governo conservador do premiê Silvio Berlusconi, acusado internacionalmente de xenofobia. As Nações Unidas afirmam que a estratégia de Roma de deportar africanos ainda em alto mar, antes que esses ao menos pisem em solo italiano – e, desta forma, nem tenham a oportunidade de requerer asilo no país – vai contra a Convenção de Genebra para Refugiados. "A Espanha já deportou 10 mil desta forma e aqui estão se irritando porque deportamos 500", disse Maroni.
Para aqueles que teriam o direito de requerer asilo, explicou o comissário Barrot, o mecanismo de deportá-los a partir de um abrigo para imigrantes situado na Líbia é "insuficiente e inadequado". Desde que o governo italiano, em parceria com o governo líbio, iniciou um processo de triagem de refugiados em Trípoli, o número de imigrantes que chegam à Itália diminuiu, salientou o ministro italiano.
Um grupo de manifestantes foi às ruas de Roma neste sábado protestar contra o encontro do G8. Os críticos da globalização carregavam faixas com os dizeres "quem silencia se torna cúmplice" ou "somos todos imigrantes ilegais". A conduta da UE em relação aos refugiados deverá ser tema do encontro de cúpula do bloco, a ser realizado ainda em junho.
Controle do Facebook
O combate à pirataria na costa africana foi também discutido pelos ministros em Roma. O secretário-geral da Interpol, Ronald Noble, afirmou que o problema não pode ser visto como uma questão apenas militar, mas deverá ser combatido como crime organizado.
Noble sugeriu ainda a criação de um banco de dados de suspostos piratas. "Precisamos reunir as informações sobre os envolvidos, a fim de saber mais sobre outros suspeitos e seus procedimentos", disse ele.
Em relação ao combate à criminalidade na internet, os ministros reunidos na Itália aprovaram a criação de uma "lista negra" de sites suspeitos nos diversos países do G8. Em cooperação com as Nações Unidas e com a Interpol, deverá ser feito um controle mais acirrado de redes como o Facebook em relação a suspeitas de crime organizado, pedofilia, pornografia infantil e terrorismo. (DEUTSCHE WELLE - 30/5/2009)
sábado, 30 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Itália convida Brasil para Ministerial do G8
O impacto da crise econômica sobre os países emergentes e a aproximação intersetorial ao desenvolvimento sustentável serão os temas centrais da reunião ministerial "Desenvolvimento G8", organizada pela primeira vez pela Itália, que acontece em Roma nos dias 11 e 12 de junho, na sede do Ministério das Relações Exteriores do país.
Da reunião, intitulada em inglês "G8 Development Ministers’ Meeting, Global Governance for Global Solidarity", a África será protagonista, segundo divulga a Farnesina, assim como do Vértice do G8, programado para julho na cidade de L'Aquila, devastada pelo terremoto de 6 de abril.
A Itália decidiu alargar o tradicional formato de Heiligendamm (cidade alemã que sediou em 2007 o vértice do G8), que inclui as cinco economias emergentes Brasil, China, Índia, México e África do Sul) também ao Egito, e convidar a União Africana, cuja presidência de turno é ocupada pela Líbia e o NEPAD (New Partnership for Africa's Development), representado pela Etiópia e por cinco membros do Comitê Steering (de ministros da Educação).
É a primeira vez que essas nações vão participar de uma Ministerial de Desenvolvimento do G8.
Da reunião, intitulada em inglês "G8 Development Ministers’ Meeting, Global Governance for Global Solidarity", a África será protagonista, segundo divulga a Farnesina, assim como do Vértice do G8, programado para julho na cidade de L'Aquila, devastada pelo terremoto de 6 de abril.
A Itália decidiu alargar o tradicional formato de Heiligendamm (cidade alemã que sediou em 2007 o vértice do G8), que inclui as cinco economias emergentes Brasil, China, Índia, México e África do Sul) também ao Egito, e convidar a União Africana, cuja presidência de turno é ocupada pela Líbia e o NEPAD (New Partnership for Africa's Development), representado pela Etiópia e por cinco membros do Comitê Steering (de ministros da Educação).
É a primeira vez que essas nações vão participar de uma Ministerial de Desenvolvimento do G8.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Lecce é nomeada "Capital dos Jovens pela Paz"

Lecce, na Puglia, Itália meridional, conquistou na segunda-feira (25/5) o título de "Capital Internacional dos Jovens Pela Paz", após ter recebido medalha do Presidente da República, Giorgio Napolitano, pelo projeto "GPace - Jovens pela Paz" (na sigla em italiano), concebido por estudantes do Istituto Costa e da escola média Galateo.
Quarenta adolescentes entre 14 e 18 anos obtiveram a honraria. Com uma nota oficial ao prefeito de Lecce, Paolo Perrone, da sede central de Genebra da OMPP-WOFP Organização Mundial Pela Paz - World Organization for Peace, o secretário geral Rodolfo José Roade comunica que a instituição "nomeou a cidade de Lecce como Capital Internacional dos Jovens pela Paz 2009".
O motivo do reconhecimento é a organização de evento significativo do grupo, em 23 de maio, e demais iniciativas que orientam os adolescentes de Lecce a uma postura pacífica diante da contingências da convivência urbana e política.
A indicação quer encorajar os jovens da cidade a prosseguir em seu projeto por um mundo melhor, ampliando programas humanitários e estender o exemplo ao universo juvenil.
Ong sem fins lucrativos criada em 1990 e presidida por Carlos Peralta, a Organização Mundial pela Paz - OMPP/WOFP segue as linhas traçadas pelas Nações Unidas, instituição "madrinha".
As principais metas da OMPP são alcançar o cessar-fogo no planeta e promover o diálogo entre as infinitas vias para a cultura de paz e bem-estar.
Visite o site: http://www.ompp.org/
segunda-feira, 25 de maio de 2009
"Un Giorno Perfetto" em cartaz no IIC-SP
O Instituto Italiano de Cultura de São Paulo exibe com entrada gratuita às 19h, na próxima sexta-feira, 29 de maio,"Un Giorno Perfetto", de Ferzan Ozpetek, produção italiana de 2008.
O filme, baseado no livro de Melania Mazzucco, narra o cotidiano de nove personagens em Roma, vividos por Stefania Sandrelli, Isabella Ferrari, Valerio Mastrandrea e Giulia Salerno, entre outros.
"Un Giorno Perfetto" esteve em cartaz em São Paulo na Mostra do Festival de Veneza no final do ano passado e na Mostra Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em setembro. Competiu pelo Leão de Ouro em Veneza, onde Isabella Ferrari venceu o Prêmio Pasinetti de Melhor Atriz.
O longa (105 min.) será exibido na sede do IIC-SP, na Rua Frei Caneca, 1071. Mais informações pelo telefone: 3285-6933
O filme, baseado no livro de Melania Mazzucco, narra o cotidiano de nove personagens em Roma, vividos por Stefania Sandrelli, Isabella Ferrari, Valerio Mastrandrea e Giulia Salerno, entre outros.
"Un Giorno Perfetto" esteve em cartaz em São Paulo na Mostra do Festival de Veneza no final do ano passado e na Mostra Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, em setembro. Competiu pelo Leão de Ouro em Veneza, onde Isabella Ferrari venceu o Prêmio Pasinetti de Melhor Atriz.
O longa (105 min.) será exibido na sede do IIC-SP, na Rua Frei Caneca, 1071. Mais informações pelo telefone: 3285-6933
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Cannes confirma era das coproduções internacionais

DW - Não importa quem saia de Cannes este ano com a Palma de Ouro: é possível que vários países festejem o prêmio, pois metade dos filmes da mostra competitiva é formada por coproduções internacionais de até cinco países.
O britânico Ken Loach, por exemplo, concorre no festival deste ano com um longa financiado por Bélgica, Itália, França e Espanha. Já o filme do dinanarquês Lars von Trier (foto) no festival é uma coprodução de Alemanha, França, Suécia e Itália.
Para Michael Schmidt-Ospach, diretor da fundação alemã de Fomento ao Cinema da Renânia do Norte-Vestfália, os orçamentos mistos só trazem vantagens. "Sem levar em consideração os temas internacionais, sem envolver atores conhecidos internacionalmente, sem o know-how internacional e sem dinheiro de vários países, duvido que o cinema evolua", comenta.
Temas regionais, recursos internacionais
No entanto, independentemente da origem dos recursos financeiros, um filme sempre traz a assinatura do diretor. E as histórias contadas na tela, mesmo quando se trata de uma coprodução internacional, não são necessariamente "internacionais", ou seja, não identificáveis do ponto de vista cultural.
Em Looking for Eric (Procurando por Eric), por exemplo, filme de Loach que concorre esse ano em Cannes, o diretor se volta para um tema essencialmente britânico: o futebol e o universo de seus torcedores no Reino Unido.
Embora o nome no título remeta a Eric Cantona, estrela francesa do futebol, o jogador se tornou conhecido por sua atuação no Manchester United e por ter vencido o Campeonato Inglês pelo Leeds United. O próprio Cantona assume o papel do protagonista Eric, que ajuda um torcedor a se recuperar num momento de crise.
Censura, crime e castigo
Já o chinês Lou Ye financiou seu Spring Fever (Férias de Primavera), uma história de amor gay que está sendo exibida no 62º Festival de Cannes, com recursos de Hong Kong e da França. A escolha se deu por razões políticas. Após infindáveis dificuldades com a censura, o diretor resolveu produzir seu filme longe das autoridades chinesas.
Outra coprodução internacional deste ano no festival francês é o último filme do dinamarquês Lars von Trier, que conta, através da figura de um anticristo, uma história sobre crime e castigo.
Um casal resolve se retirar numa casa de campo, depois de ter perdido o filho devido a sua própria negligência. No isolamento da natureza, principalmente a mulher procura por redenção para sua culpa.
Decisão financeira
O filme de Lars von Trier foi totalmente rodado na Alemanha, com a francesa Charlotte Gainsbourg (foto) e o norte-americano Willem Dafoe (foto) como protagonistas. Para a Fundação de Fomento ao Cinema da Renânia do Norte-Vestfália, uma das instituições viabilizadoras do projeto, o filme foi um caso de sorte, tanto do ponto de vista financeiro, quanto estético.
Para Lars von Trier, por outro lado, a escolha da Alemanha como cenário foi apenas uma decisão financeira. "Recebemos recursos financeiros do país. Essa era a única saída para o filme. A floresta onde rodamos poderíamos ter encontrado também em outro lugar", diz o diretor.
Língua materna
O cineasta norte-americano Quentin Tarantino também filmou parte de seu Inglourious Basterds (Bastardos Inglórios) – outro concorrente em Cannes – na Alemanha, atraído pela gorda oferta de recursos, em torno de 6,8 milhões de euros, para seu projeto.
O filme de Tarantino, diga-se de passagem, tem vários atores alemães. No roteiro, os nazistas falam alemão, pois Tarantino fez questão de optar por atores que falassem a língua materna dos personagens.
Vantagens para o mercado
No caso desta edição do Festival de Cannes, é possível dizer que, sem a cooperação internacional, alguns filmes nem teriam sido feitos. Uma vez prontos, porém, a grande questão é saber a quem pertecem essas complexas coproduções.
"Não sei quem poderia responder a uma pergunta dessa. Temos vários critérios dos quais partimos. Mas discutir isso é uma tarefa ingrata, que, no fundo, acaba ocultando o fato de estarmos progredindo de uma forma muito positiva na Europa", conclui Schmidt-Ospach em tom de elogio às coproduções internacionais.
Autora: Sigrid Fischer
DEUTSCHE WELLE
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